Entry: à verdadeira literatura Friday, October 12, 2012



se existes
porque te escondes
num vão de escada;
porque te injectas
e soletras o abandono
pela noite dentro?
abraças as pernas e
mordes os joelhos
num hotel velho
dos subúrbios onde
restam apenas
velhos; exilados;
gatos mortos
com as entranhas
pós-modernas
expostas nos beirados.
passeias-te pelo pequeno
quarto decadente e
esperas pelo desembarque
dos pescadores,
dos desesperados
que a morte recusa.
preferes receber na tua
cama os mortos,
os quase-mortos
que procuram no teu abraço
apenas o calor de um corpo
despido.
todas as pessoas dizem
conhecer o teu corpo,
o incêndio,
sem terem
procurado a morte
num copo de vidro
partido. sem saberem
sequer o teu
inaceitável nome.
queimo todos os poemas.
o que me resta de ti é uma volátil
percepção dos passos
nocturnos entre a cama
e a casa de banho
onde choramos a vida
perdidas dos amigos
mortos pela fome,
pela insuficiência
das palavras eternas.








   1 comments

Bruno Oliveira
October 17, 2012   02:43 PM PDT
 
E mesmo pena, esta estupidez da Blog Drive agora nao deixar escrever com acentos nem pontuacao grafica de toda e qualquer lingua, que nao o ingles... :( mais ainda, porque este poema esta tao mas tao bom (como, de resto, nos tens sempre vindo a habituar) e, a menos que se olhe para ele como uma "experiencia avant-garde a la Cummings", fica so meio destruido e desprovido do seu impacto total... a conta destas brincadeiras e que ja migrei o lonely gigolo para a blogger.

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