Entry: Aparar a barba Friday, March 02, 2012



o ventre da poesia estático no tempo,
um feto que envelhece dentro do útero
enquanto procuramos a fórmula correcta,
a forma correcta
do poema, da filosofia, da fonologia, da linguagem.
os poetas não são os poetas e os homens
são mulheres por dentro a chorar e a sonhar
com um útero cheio de luz. um deus que nos
engravide de palavras intensas, de vontade.
tenho vontade de morrer
primeiro
que
tudo,
primeiro
que
tu.

não digas a palavra que falta neste verso,
não a procures,
não existe,
tu não existes
mesmo que eu
corra o risco de morrer
primeiro
e viver eternamente.

a poesia sempre inteira
no bolso vazio,
no estômago, também ele.
sim,
vazio.

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