Entry: Deniespair Friday, September 02, 2011



os ciganos em volta
para que o incêndio
subisse o elevador
até ao quinto andar
mas o desespero
do sonho contrafeito
a carregar no alarme
com as duas mãos,
a dilacerar os pulmões
numa agonia electrizante.
o sorriso indiferente dos
vizinhos enquanto a cabeça
decepada pelo aço.
a poesia debaixo do tapete
dos apartamentos e ninguém a
precisar dela senão quando alguém
se esquece da chave de casa
e uma réplica escondida dentro
do poema.
um aquário de ritmo e silêncio
ocasionais. um génio humano
capaz de uma chave, mesmo
assim, sem saber que a poesia.
sim, isso mesmo.

para quê, portanto?

o vidro esverdeado,
estilhaçado
a plantar o coração
de sangue.
a explicar a inutilidade
a utilidade
do meu corpo morto
quando a poesia, sem dono,
uma perspectiva
invisível.


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