mortir
August 24th 1991  (Age 25)
Male

   

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telefone alimentado a madeira

Assuntos mecânicos concêntricos adormecem as
memórias, confirmam a melancolia.
Encontraram-no fora da voz, louco de
insígnias. Faltam unhas.
Carne mastigada, estilhaços,
janelas sem ângulos, honestas de
sangue...
O propósito obscuro,
conta-nos, vertebral, o útero
das coisas queimadas amolece das
órbitas.
Sopram por dentro
encaixam mortos nos lugares efémeros.
Acreditam, veementes, nos assuntos
imaculados. Velcro nos olhos ovíparos omnívoros.
Sente-se ferrugem antiga
nos lábios cansados de mortes,
sente-se cromatina no périplo.
E eu, afónico, resto de
tudo, hoje, louco, aqui me
espero de ontem, aqui me
torno a flor de lótus.
Clímax. Sou eu.
E eu, adorno, desembarco nas
humidades.
Fértil chão da morte.


27/X/2008

groze & Su & Mortir



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Monday, January 20, 2014
Continuação
Um novo lugar; na esperança de existir, ao menos. . .

www.facademanteiga.blogspot.com

Posted at 01:11 pm by mortir
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Friday, October 12, 2012
à verdadeira literatura
se existes
porque te escondes
num vão de escada;
porque te injectas
e soletras o abandono
pela noite dentro?
abraças as pernas e
mordes os joelhos
num hotel velho
dos subúrbios onde
restam apenas
velhos; exilados;
gatos mortos
com as entranhas
pós-modernas
expostas nos beirados.
passeias-te pelo pequeno
quarto decadente e
esperas pelo desembarque
dos pescadores,
dos desesperados
que a morte recusa.
preferes receber na tua
cama os mortos,
os quase-mortos
que procuram no teu abraço
apenas o calor de um corpo
despido.
todas as pessoas dizem
conhecer o teu corpo,
o incêndio,
sem terem
procurado a morte
num copo de vidro
partido. sem saberem
sequer o teu
inaceitável nome.
queimo todos os poemas.
o que me resta de ti é uma volátil
percepção dos passos
nocturnos entre a cama
e a casa de banho
onde choramos a vida
perdidas dos amigos
mortos pela fome,
pela insuficiência
das palavras eternas.









Posted at 01:35 pm by mortir
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Sunday, April 29, 2012
Verso de página

Arde-me o céu da boca,
o pântano entre os dedos
onde restam pedaços de
ti e de mim quando um
abraço podia fazer sentido
durante a noite; durante a
madrugada. calo-me para
ouvir melhor o corpo
ofegante de tempo mas
o teu abraço já não é sequer
 abstracto. acaba um sorriso
no colapso mecânico que
brota entre as costelas.
a vedação está coberta
de sonho, de pombos
com facas no bico e
nenúfares nas patas.
somos animais de luz
a correr depressa demais
contra os olhos para lá da
imaginação possível.
levantamo-nos tarde e
estamos nus mas isso é inconcreto.
apagas-me um cigarro no pescoço
e é o beijo possível,
o corpo inflamado a construir
estruturas aladas no
rosto da impotência.
tenho a dimensão exacta de
uma árvore decepada:
deixo a cabeça cair entre as
tuas pernas e mitifico o silêncio
do fogo enquanto as portadas
encerram a tempestade.


Posted at 06:41 pm by mortir
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Thursday, April 26, 2012
25 de Abril

está frio lá fora e é principalmente
isso. as calças não me servem e
as pessoas também não.
troco-as com o tempo
a que dou corda num relógio
de madeira que já foi do
meu pai; do meu avô,
ambos mortos de demasiado
chiar mecânico em volta
do crânio.
pequenos passos
a subir uma parede de gesso
indicam a fuga das vozes
de  dentro de um balde
que flutua
a constante variação
da sombra
numa piscina
com cadáveres no fundo.

 

Posted at 03:36 pm by mortir
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Sunday, March 11, 2012
Uma pessoa, um vidro
Os vidros transparentes
têm o defeito de ser
invisíveis.

intocáveis

Nos que se cobrem
de poeira
toca-se com
as mãos,
os dedos,
as unhas
e pode-se
inscrever,
reescrever
todas as verdades
e segredos
do mundo.



Posted at 05:02 pm by mortir
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Friday, March 02, 2012
Aparar a barba
o ventre da poesia estático no tempo,
um feto que envelhece dentro do útero
enquanto procuramos a fórmula correcta,
a forma correcta
do poema, da filosofia, da fonologia, da linguagem.
os poetas não são os poetas e os homens
são mulheres por dentro a chorar e a sonhar
com um útero cheio de luz. um deus que nos
engravide de palavras intensas, de vontade.
tenho vontade de morrer
primeiro
que
tudo,
primeiro
que
tu.

não digas a palavra que falta neste verso,
não a procures,
não existe,
tu não existes
mesmo que eu
corra o risco de morrer
primeiro
e viver eternamente.

a poesia sempre inteira
no bolso vazio,
no estômago, também ele.
sim,
vazio.

Posted at 02:41 pm by mortir
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Monday, February 20, 2012
acto
Podia escrever apenas
que as palavras;
o poema tem coisas
dentro
e todos me diriam
que sim, ou que as
palavras são um poema
porque também.
talvez por isso,
talvez por tantas outras
coisas
não me fascine ser
também
poeta. nem mesmo com
coisas
dentro.

sou as palavras
de mim próprio
mais que a corrente
inexistente dos reconhecidos
homens vagos.
morrer faz parte de mim
sozinho
porque também a morte
como a vida
faz mais sentido se
ninguém estiver a
ver.
a considerar sobre.

escrever para ninguém
para sempre.



Posted at 03:36 am by mortir
comment (1)  

 
Friday, November 11, 2011
Dispersos IX
quero esta corda.
este silêncio em
que a angústia se
enrola no pescoço
e me pendura no
lugar de um cortinado.

preciso de uma cidade
inteira, uma lâmina
para dentro do meu
peito e, depois, um tumor
maligno com que possa
conviver para sempre.

preciso de uma cama
de madeira fechada
com pregos, um
armazém vazio com
um ringue ao centro
e apenas eu contra
deus. o eco
da solidão a entrar
pela caverna
de cristo e um gato
ferido a morrer aos
meus pés. apenas
olhos em estilhaços,
vidros de uma cidade
que decide sucumbir
ao vazio.
onde quer que estejas
plantarás uma flor
e enquanto a vires
secar supões ter desviado
os doces rios que correm
dos meus pulsos para
dentro da tua boca.

preciso de mim,
do que resta dos
meus olhos, da vossa
boca a arrancar-me os
braços para que nunca
mais, na ausência, um
abraço.

Posted at 09:57 am by mortir
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Friday, September 30, 2011
A propósito do silêncio nas avenidas
os troncos das pedras
sob a forma de costelas
e dentro do mar o absinto
preto mal diluído. ainda
gatos velhos a incendiar
o peito com fósforos vazios
na boca.
quando era mais novo
armazenava corações
nas escarpas. deixava-os
corroer o céu da boca
até chegar ao cérebro
e cuspia para dentro
de uma garrafa de plástico
cortada ao meio onde
antes o meu pai guardara
o tecido morto das fotografias
 e a parede do corredor.
pessoas desconhecidas a penetrar
na caixa de ar das casas antigas
com vozes próprias, com pontes
próprias através dos dentes. às vezes
o crânio a explodir cores secas
e uma espécie de sangue
a partir a paleta no tapete.
o senhorio acabado de morrer.
o meu corpo mais pequeno
a dobrar as esquinas
sucessivas das casas,
das camas partidas com
homens pequenos abraçados
a uma almofada vermelha
com vértices de vidro.
os olhos dentro
de um copo de plástico
para diluir as lágrimas
que restam a um corpo
feito de cinzas. a solidão
com arranjos de mármore
a definir o espaço físico
da morte. os retratos
abandonados no chão,
nas ruínas de uma casa
sem gente que saiba chorar,
sem animais que dêem pela
falta de uma cama de hospital
emprestada
para um final feliz. 



Posted at 02:09 pm by mortir
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Friday, September 02, 2011
Deniespair
os ciganos em volta
para que o incêndio
subisse o elevador
até ao quinto andar
mas o desespero
do sonho contrafeito
a carregar no alarme
com as duas mãos,
a dilacerar os pulmões
numa agonia electrizante.
o sorriso indiferente dos
vizinhos enquanto a cabeça
decepada pelo aço.
a poesia debaixo do tapete
dos apartamentos e ninguém a
precisar dela senão quando alguém
se esquece da chave de casa
e uma réplica escondida dentro
do poema.
um aquário de ritmo e silêncio
ocasionais. um génio humano
capaz de uma chave, mesmo
assim, sem saber que a poesia.
sim, isso mesmo.

para quê, portanto?

o vidro esverdeado,
estilhaçado
a plantar o coração
de sangue.
a explicar a inutilidade
a utilidade
do meu corpo morto
quando a poesia, sem dono,
uma perspectiva
invisível.



Posted at 03:50 pm by mortir
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