mortir
August 24th 1991  (Age 26)
Male

   

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telefone alimentado a madeira

Assuntos mecânicos concêntricos adormecem as
memórias, confirmam a melancolia.
Encontraram-no fora da voz, louco de
insígnias. Faltam unhas.
Carne mastigada, estilhaços,
janelas sem ângulos, honestas de
sangue...
O propósito obscuro,
conta-nos, vertebral, o útero
das coisas queimadas amolece das
órbitas.
Sopram por dentro
encaixam mortos nos lugares efémeros.
Acreditam, veementes, nos assuntos
imaculados. Velcro nos olhos ovíparos omnívoros.
Sente-se ferrugem antiga
nos lábios cansados de mortes,
sente-se cromatina no périplo.
E eu, afónico, resto de
tudo, hoje, louco, aqui me
espero de ontem, aqui me
torno a flor de lótus.
Clímax. Sou eu.
E eu, adorno, desembarco nas
humidades.
Fértil chão da morte.


27/X/2008

groze & Su & Mortir



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Thursday, July 28, 2011
Recipe
aqui, onde ninguém existe,
conheço um lugar abandonado
com escadas de azoto líquido
sem corrimão.

enlouqueci dentro dos vossos
olhos antes de aqui chegar.
tirei senha na farmácia e
deram-me dinheiro para a droga.
fiquei contente. depois morri.
agora velo o meu corpo
interiormente e não vos conto
nada porque, mesmo que contasse,
fingiam que era só mais um resto
de poesia a pingar do nariz.



Posted at 06:44 pm by mortir
comment (1)  

 
Tuesday, July 19, 2011
God is an astronaut
assobia o vidro entre os dentes como se costurasses uma árvore num corpo inerte. cobra os impostos ao amor indefeso, corrói os nós das cordas como se pedras violeta nos olhos que se arrancam lentamente com o anzol às aves incendiárias do momento primário. não escondas a cara. já te viram chorar uma língua húmida pela noite dentro, pelos olhos dentro. descolar a retina seria uma profissão bem remunerada, dizias. mas deus não acreditava. chorava também. deus também chora? não. eventualmente, assobia uma melodia envelhecida e morta, com moscas no regaço, um cão putrefacto nos braços e uma tristeza infinita adornada de corações (somos humanos, todos humanos). mastigamos a violência do ritmo para que na praia reconheçamos o sangue do nosso sexo a explodir por dentro como um prédio feito de papel que começa a arder lentamente mas depois cada vez mais depressa, cada vez melhor como uma nota de rodapé num livro onde as cinzas representem o silêncio. um assobio vítreo na varanda. onde estás? deus não sabe assobiar. eu também não. às vezes é melhor assim.
a minha profissão é simples. carrego cavalos cansados nas pálpebras. fecho os olhos com força até esgotar as lágrimas com que se existe. com que se enlouquece. aprisiono assobios em casas de banho públicas onde os velhos oferecem rosas aos maricas. com que direito? não tenho dinheiro para comer e vendo o amor para pagar as prestações do sorriso. este trabalho é uma quimera a bordo de um navio amarrado ao estaleiro como um animal em pânico. avisa-me quando chegares e janta sozinho no cais. assobia alto para toda a cidade ouvir o lamento de um homem violado por deus. foi como se um galáxia o possuí-se de dentro para fora e cuspi-se o desespero contra as valquírias. não chorou nem abriu mais os olhos. desenhou a melancolia no interior das pálpebras e pediu um cão guia que o empurrasse para os escombros. tinha uma máquina de lavar que debitava poemas. centrifugava deus com um assobio mecânico imperfeito e pouco estético para os tempos que correm. para os tempos, os espaços. os becos comprimidos onde o desespero é um anti-depressivo sujeito a receita médica.

Posted at 03:56 pm by mortir
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Friday, March 11, 2011
Cão guia ou Afogamento precoce
Mesmo sem lhes afagar o pêlo
ou beijar a fronte com a bravia
ternura do campo
os cães morriam às
mãos dos pescadores
afogados e plantados
segundo ordens cronológicas
irregulares.
Explicava-se o sacrifício
no silêncio de uma escuridão
que perdia as crianças
em incêndios de sal e vozes
enlouquecidas guardadas
ao longo dos anos dentro
de pianos de cauda
feitos em baixo relevo
na sala de jantar de
um coleccionador de
corvos marinhos.
Enquanto
a esventrável agonia
de um animal lhes servia
de propósito para a compaixão
um rio de sangue iluminava
a profundidade do solo primário
ilustrando o caminho mais longo
para uma morte breve e desatenta
desenhada de homens
vermelhos e mulheres escurecidas
sentados num café de mármore
onde se podem pisar grãos de
café estragado e plantar
a melancolia ao lado dos cedros.

Quando vou ao cemitério
ainda carrego um regador
vazio para recolher
as sombras dos homens
sentados sobre a cabeça
e planto solidão na
calçada que um homem
de princípios há-de
pulverizar
asfixiado
de
si
próprio.


Posted at 02:02 pm by mortir
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Tuesday, January 25, 2011
Insolação poente
Temos o
poema
numa
mão
(a esquerda)
e na outra
plantamos
sacos de plástico
com árvores
desenhadas de
ambos os lados
e
se brotam
florestas
mecânicas
do romantismo
secular dos
lábios
porque não
sobram mais
unhas
para além das
cravadas
na carne
espessa do
poeta
cuja morte
acaba
onde o poema
reside em precipício?



Posted at 05:14 pm by mortir
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Monday, January 17, 2011
An)atómico
As mãos vazias
e entre elas
a cabeça de um
unicórnio decepada
na urgência do
metrónomo.
"É o pessimismo
das estrelas" - dizias - e
eu apontava para o
silêncio com sangue
nos pulsos amputados
enquanto no litoral
ainda restavam perguntas
quiméricas e hienas
esfoladas com cascos
de centauro habitados
de coral cinzento centrifugado.
O coração sob a forma de
uma medusa pulsante
com tentáculos circundando
o jardim efémero da fisicidade
e duas dentadas que servirão
de joelhos, se assim
puder ser.
É a palidez da noite
e o psiquiatra marítimo
que na ciclicidade das ondas
se esquece da embarcação
e produz escamas com
sumo de laranja natural
e carvalhos centenários
com escorbuto.

"É o incêndio das vozes,
a explicação intemporal
do arquétipo
ou
o deus solitário na
varanda do

andar a fumar o cigarro
da criação
por falta de sexo
e afins" - dirias.



Posted at 02:00 pm by mortir
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Wednesday, January 12, 2011
Enumerações sintéticas
Dá-me a mão
porque lá fora
está frio e pode
ser que os cães
ladrem a amplitude
das sombras.
Nos dias assim
costumamos plantar
espectros na lareira
e acender luzes de natal
com farinha de trigo
fora do prazo de validade
para iluminar o vento
solar que se movimenta
debaixo das árvores.
Sabemos que os pescadores
têm raízes humedecidas
debaixo dos pés e é por isso
que vão para o mar e têm barcos
de madeira sob o seu comando
mas não contamos a ninguém
porque nos pediram segredo
com aquele olhar
de miséria suburbana
que comovia as larvas
nos funerais mais bonitos
e, portanto, com menos flores,
menos pessoas, sem caixão
nem cânticos. Só um buraco
na terra e mortos, ou quase,
atirados segundo a lei da
gravitação Universal
de Newton
que, sem saber,
explicou porque é
que caímos de joelhos
de olhar vazio
e medusas nos pulmões
quando esgotamos o
amor e só nos resta um
último poema amarrotado
na mão esquerda e uma mola
de roupa amarela
semi-carbonizada presa
ao indicador da direita.

Posted at 09:42 am by mortir
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Saturday, January 08, 2011
Raw Blues is a goddess fingerprint
tu sabes que as mãos
acabam e derretem
e depois as unhas
mas primeiro os olhos
têm sinceridade
e fala-se de bules
com água fria que
serve para fazer chá
azul com electricidade
estática no fundo
como se fosse
açúcar
mas não é
porque na verdade
é muito mais do
que aquilo que as pessoas
p-e-s-s-o-a-s,
[pés sob o anatómico símio ?],
pensam
que saem à segunda-feira
para trabalhar e chegam
numa sexta feira qualquer
cansados e, às vezes,
até mortos mas com
mãos no ombro,
como as pessoas que
morrem bem, porque
morrer bem é o objectivo
das pessoas boas e correctas
que trabalham uma semana
inteira e estão cansados
demais para não trabalhar
na semana seguinte
sem saber que a vida é cíclica
e se a enchermos de ciclos
podemos ficar doentes
e morrer com mãos no ombro
que depois derretem e acabam
depois de nós, talvez até
melhor, porque pertenciam
a uma pessoa menos cíclica
e menos boa que sorria
debaixo de um comboio
preto e vermelho, como nas
colecções dos velhotes
que se julgam imortais
e enchem vitrinas com
corações de crianças
que depois pretendem
trocar com os seus
como pilhas que se
apertam nas mãos
e provocam uma explosão
etérea de vida com faíscas
multi-colores e irracionais.
Mas as mãos acabam
e com elas o Universo,
eu diria. Tudo isso
só,
talvez,
porque as pessoas
saem para o trabalho
sem pensar,
ou interrompem o
pensamento porque é
tarde
e quando é tarde
tem que se ter um
emprego,
quem sabe como coveiro,
[a eterna esperança
de um dia chegar ao centro da terra]
numa Terra qualquer
em que as minhocas
e as larvas
são satélites naturais
reflectindo a luz
de um poema apagado
ao fim do dia.


Posted at 06:39 pm by mortir
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Thursday, January 06, 2011
Conversas com amigos #9
Nos anos 50
partilhávamos
copos de absinto
em bares feitos de
gesso com flores
defeituosas a crescer
nas paredes desenhadas
a preto e azul petróleo
e
depois de algum tempo
começávamos a perceber
que o amor não era invisível
e que as pessoas tinham
expressões semelhantes
a camaleões cortados em
fatias cada vez mais grossas
se considerarmos o sentido
longitudinal.
A fatia do meio era, portanto
a mais volumosa.
Ficámos em silêncio por algum
tempo quando concordámos que
não é no meio que está a virtude
e chorámos devagar a electrocussão
dos corpos.

Mais tarde virão
os pássaros de metal para
esventrar as crianças e não
sabemos porquê, nem entendemos
a necessidade do sofrimento.
O amor tolda-nos a visão;
somos voláteis e
estamos
embriagados. 

Posted at 06:17 pm by mortir
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Wednesday, December 01, 2010
Estruturalismo postal
o espaço era
um pedaço
de carne desfeito/a
na boca ferrugenta
de dois ou três
cães vadios
abandonados nos
esgotos das casas
de banho públicas
ou perdidos nos rios
secos dos subúrbios
da vida; o tempo
escasseava ou não corria
porque alguém se teria
perdido no oceano e
a torneira do café
onde os marinheiros
se embriagavam depois
de mortos não funcionava
desde setembro porque
não foram encontrados
dadores compatíveis;
a acção era o tempo
no espaço e guardava
o metrónomo no bolso
para o caso de alguém
sobreviver à tempestade
que serve de sede ao balcão
deste dia morto
com aviso de pré-pagamento.

Posted at 02:21 pm by mortir
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Wednesday, November 17, 2010
Waving Soup
A chuva cai
nos telhados
e os gatos atravessam
as portas de madeira
condensada provocando
uma escuridão
incomensurável
e vítrea.
Sentimo-nos
cegos.
Abraçamo-nos
devagar como se
operássemos o beijo
com mais coerência
e explicamos
a textura exacta do lábio
superior e inferior exactamente
por esta ordem.
Onde está esse teu desenho
circular que me falta quando
chove e me doem os pés de
tanto te perseguir na escuridão
lânguida da lívida noite?
As maçãs oxidadas que trazes
enroladas na saliva do coração
adornam o meu corpo despido
numa cama de pirâmides e
exortam a minha voz a pensamentos
desnecessários.
A minha voz pensa em ti sem dizer uma palavra. 

Posted at 10:41 am by mortir
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