mortir
August 24th 1991  (Age 26)
Male

   

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telefone alimentado a madeira

Assuntos mecânicos concêntricos adormecem as
memórias, confirmam a melancolia.
Encontraram-no fora da voz, louco de
insígnias. Faltam unhas.
Carne mastigada, estilhaços,
janelas sem ângulos, honestas de
sangue...
O propósito obscuro,
conta-nos, vertebral, o útero
das coisas queimadas amolece das
órbitas.
Sopram por dentro
encaixam mortos nos lugares efémeros.
Acreditam, veementes, nos assuntos
imaculados. Velcro nos olhos ovíparos omnívoros.
Sente-se ferrugem antiga
nos lábios cansados de mortes,
sente-se cromatina no périplo.
E eu, afónico, resto de
tudo, hoje, louco, aqui me
espero de ontem, aqui me
torno a flor de lótus.
Clímax. Sou eu.
E eu, adorno, desembarco nas
humidades.
Fértil chão da morte.


27/X/2008

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Thursday, April 26, 2012
25 de Abril

está frio lá fora e é principalmente
isso. as calças não me servem e
as pessoas também não.
troco-as com o tempo
a que dou corda num relógio
de madeira que já foi do
meu pai; do meu avô,
ambos mortos de demasiado
chiar mecânico em volta
do crânio.
pequenos passos
a subir uma parede de gesso
indicam a fuga das vozes
de  dentro de um balde
que flutua
a constante variação
da sombra
numa piscina
com cadáveres no fundo.

 

Posted at 03:36 pm by mortir

Hugo Sales
April 27, 2012   02:52 AM PDT
 
Vai lá dizer a outro que o poema está mau. Não está, está delicioso, sabe bem na língua, quando se lê, como uma comida boa. Sabe bem na alma.

E mesmo que sejamos os únicos a comentar-nos mutuamente, tenho a certeza que não somos os únicos a ler-nos, logo, ainda vai fazendo sentido a existência destes espaços, mesmo que tenhamos de ir contra os outros, contra as ideias dos outros, que nos dizem que somos narcísicos e hedonistas e infantis na nossa poesia. Ao menos é a nossa voz poética e, apesar de todas as coisas más, é mais actual do que as desses, que falam, mas se limitam a copiar fórmulas dos outros.

Portanto, resta-te escrever pequenas maravilhas destas, que fazem sentido no meio de todo o barulho quotidiano. Aqui posso baixar o volume da vida e ouvir um som que se assemelha ao mar - que é como quem diz, ao eco do sangue e do ar nas nossas cabeças, quando encostamos o ouvido a um búzio.
 

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