mortir
August 24th 1991  (Age 26)
Male

   

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telefone alimentado a madeira

Assuntos mecânicos concêntricos adormecem as
memórias, confirmam a melancolia.
Encontraram-no fora da voz, louco de
insígnias. Faltam unhas.
Carne mastigada, estilhaços,
janelas sem ângulos, honestas de
sangue...
O propósito obscuro,
conta-nos, vertebral, o útero
das coisas queimadas amolece das
órbitas.
Sopram por dentro
encaixam mortos nos lugares efémeros.
Acreditam, veementes, nos assuntos
imaculados. Velcro nos olhos ovíparos omnívoros.
Sente-se ferrugem antiga
nos lábios cansados de mortes,
sente-se cromatina no périplo.
E eu, afónico, resto de
tudo, hoje, louco, aqui me
espero de ontem, aqui me
torno a flor de lótus.
Clímax. Sou eu.
E eu, adorno, desembarco nas
humidades.
Fértil chão da morte.


27/X/2008

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Friday, November 11, 2011
Dispersos IX
quero esta corda.
este silêncio em
que a angústia se
enrola no pescoço
e me pendura no
lugar de um cortinado.

preciso de uma cidade
inteira, uma lâmina
para dentro do meu
peito e, depois, um tumor
maligno com que possa
conviver para sempre.

preciso de uma cama
de madeira fechada
com pregos, um
armazém vazio com
um ringue ao centro
e apenas eu contra
deus. o eco
da solidão a entrar
pela caverna
de cristo e um gato
ferido a morrer aos
meus pés. apenas
olhos em estilhaços,
vidros de uma cidade
que decide sucumbir
ao vazio.
onde quer que estejas
plantarás uma flor
e enquanto a vires
secar supões ter desviado
os doces rios que correm
dos meus pulsos para
dentro da tua boca.

preciso de mim,
do que resta dos
meus olhos, da vossa
boca a arrancar-me os
braços para que nunca
mais, na ausência, um
abraço.

Posted at 09:57 am by mortir

 

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