Your Ad Here







mortir
August 24th 1991  (Age 20)
Male
Óbidos
   

<< January 2012 >>
Sun Mon Tue Wed Thu Fri Sat
01 02 03 04 05 06 07
08 09 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31


telefone alimentado a madeira

Assuntos mecânicos concêntricos adormecem as
memórias, confirmam a melancolia.
Encontraram-no fora da voz, louco de
insígnias. Faltam unhas.
Carne mastigada, estilhaços,
janelas sem ângulos, honestas de
sangue...
O propósito obscuro,
conta-nos, vertebral, o útero
das coisas queimadas amolece das
órbitas.
Sopram por dentro
encaixam mortos nos lugares efémeros.
Acreditam, veementes, nos assuntos
imaculados. Velcro nos olhos ovíparos omnívoros.
Sente-se ferrugem antiga
nos lábios cansados de mortes,
sente-se cromatina no périplo.
E eu, afónico, resto de
tudo, hoje, louco, aqui me
espero de ontem, aqui me
torno a flor de lótus.
Clímax. Sou eu.
E eu, adorno, desembarco nas
humidades.
Fértil chão da morte.


27/X/2008

groze & Su & Mortir



Links:

A liga de murphy
conFusão
dodoi
Em copo ou cone?
exanimatus
faz-me espéce
invers o srevni
lonely Gigolo
Papoilas à chuva
Parafernália
sombras
Talvez esperança
Tampa de Caneta






Creative Commons License
O blog Piegas by Mortir is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 3.0 Unported License.


Qualquer cópia de um texto aqui publicado requer a autorização expressa do autor. Caso contrário estarão a ser infringidas as leis de copyright em vigor asseguradas pelo serviço básico de direitos de autor de alojamento na Blogdrive




If you want to be updated on this weblog Enter your email here:



rss feed



 
Friday, November 11, 2011
Dispersos IX
quero esta corda.
este silêncio em
que a angústia se
enrola no pescoço
e me pendura no
lugar de um cortinado.

preciso de uma cidade
inteira, uma lâmina
para dentro do meu
peito e, depois, um tumor
maligno com que possa
conviver para sempre.

preciso de uma cama
de madeira fechada
com pregos, um
armazém vazio com
um ringue ao centro
e apenas eu contra
deus. o eco
da solidão a entrar
pela caverna
de cristo e um gato
ferido a morrer aos
meus pés. apenas
olhos em estilhaços,
vidros de uma cidade
que decide sucumbir
ao vazio.
onde quer que estejas
plantarás uma flor
e enquanto a vires
secar supões ter desviado
os doces rios que correm
dos meus pulsos para
dentro da tua boca.

preciso de mim,
do que resta dos
meus olhos, da vossa
boca a arrancar-me os
braços para que nunca
mais, na ausência, um
abraço.
Posted at 09:57 am by mortir
Make a comment  

 
Friday, September 30, 2011
A propósito do silêncio nas avenidas
os troncos das pedras
sob a forma de costelas
e dentro do mar o absinto
preto mal diluído. ainda
gatos velhos a incendiar
o peito com fósforos vazios
na boca.
quando era mais novo
armazenava corações
nas escarpas. deixava-os
corroer o céu da boca
até chegar ao cérebro
e cuspia para dentro
de uma garrafa de plástico
cortada ao meio onde
antes o meu pai guardara
o tecido morto das fotografias
 e a parede do corredor.
pessoas desconhecidas a penetrar
na caixa de ar das casas antigas
com vozes próprias, com pontes
próprias através dos dentes. às vezes
o crânio a explodir cores secas
e uma espécie de sangue
a partir a paleta no tapete.
o senhorio acabado de morrer.
o meu corpo mais pequeno
a dobrar as esquinas
sucessivas das casas,
das camas partidas com
homens pequenos abraçados
a uma almofada vermelha
com vértices de vidro.
os olhos dentro
de um copo de plástico
para diluir as lágrimas
que restam a um corpo
feito de cinzas. a solidão
com arranjos de mármore
a definir o espaço físico
da morte. os retratos
abandonados no chão,
nas ruínas de uma casa
sem gente que saiba chorar,
sem animais que dêem pela
falta de uma cama de hospital
emprestada
para um final feliz. 


Posted at 02:09 pm by mortir
Make a comment  

 
Friday, September 02, 2011
Deniespair
os ciganos em volta
para que o incêndio
subisse o elevador
até ao quinto andar
mas o desespero
do sonho contrafeito
a carregar no alarme
com as duas mãos,
a dilacerar os pulmões
numa agonia electrizante.
o sorriso indiferente dos
vizinhos enquanto a cabeça
decepada pelo aço.
a poesia debaixo do tapete
dos apartamentos e ninguém a
precisar dela senão quando alguém
se esquece da chave de casa
e uma réplica escondida dentro
do poema.
um aquário de ritmo e silêncio
ocasionais. um génio humano
capaz de uma chave, mesmo
assim, sem saber que a poesia.
sim, isso mesmo.

para quê, portanto?

o vidro esverdeado,
estilhaçado
a plantar o coração
de sangue.
a explicar a inutilidade
a utilidade
do meu corpo morto
quando a poesia, sem dono,
uma perspectiva
invisível.


Posted at 03:50 pm by mortir
Make a comment  

 
Thursday, July 28, 2011
Recipe
aqui, onde ninguém existe,
conheço um lugar abandonado
com escadas de azoto líquido
sem corrimão.

enlouqueci dentro dos vossos
olhos antes de aqui chegar.
tirei senha na farmácia e
deram-me dinheiro para a droga.
fiquei contente. depois morri.
agora velo o meu corpo
interiormente e não vos conto
nada porque, mesmo que contasse,
fingiam que era só mais um resto
de poesia a pingar do nariz.


Posted at 06:44 pm by mortir
comment (1)  

 
Tuesday, July 19, 2011
God is an astronaut
assobia o vidro entre os dentes como se costurasses uma árvore num corpo inerte. cobra os impostos ao amor indefeso, corrói os nós das cordas como se pedras violeta nos olhos que se arrancam lentamente com o anzol às aves incendiárias do momento primário. não escondas a cara. já te viram chorar uma língua húmida pela noite dentro, pelos olhos dentro. descolar a retina seria uma profissão bem remunerada, dizias. mas deus não acreditava. chorava também. deus também chora? não. eventualmente, assobia uma melodia envelhecida e morta, com moscas no regaço, um cão putrefacto nos braços e uma tristeza infinita adornada de corações (somos humanos, todos humanos). mastigamos a violência do ritmo para que na praia reconheçamos o sangue do nosso sexo a explodir por dentro como um prédio feito de papel que começa a arder lentamente mas depois cada vez mais depressa, cada vez melhor como uma nota de rodapé num livro onde as cinzas representem o silêncio. um assobio vítreo na varanda. onde estás? deus não sabe assobiar. eu também não. às vezes é melhor assim.
a minha profissão é simples. carrego cavalos cansados nas pálpebras. fecho os olhos com força até esgotar as lágrimas com que se existe. com que se enlouquece. aprisiono assobios em casas de banho públicas onde os velhos oferecem rosas aos maricas. com que direito? não tenho dinheiro para comer e vendo o amor para pagar as prestações do sorriso. este trabalho é uma quimera a bordo de um navio amarrado ao estaleiro como um animal em pânico. avisa-me quando chegares e janta sozinho no cais. assobia alto para toda a cidade ouvir o lamento de um homem violado por deus. foi como se um galáxia o possuí-se de dentro para fora e cuspi-se o desespero contra as valquírias. não chorou nem abriu mais os olhos. desenhou a melancolia no interior das pálpebras e pediu um cão guia que o empurrasse para os escombros. tinha uma máquina de lavar que debitava poemas. centrifugava deus com um assobio mecânico imperfeito e pouco estético para os tempos que correm. para os tempos, os espaços. os becos comprimidos onde o desespero é um anti-depressivo sujeito a receita médica.
Posted at 03:56 pm by mortir
comment (1)  

 
Friday, March 11, 2011
Cão guia ou Afogamento precoce
Mesmo sem lhes afagar o pêlo
ou beijar a fronte com a bravia
ternura do campo
os cães morriam às
mãos dos pescadores
afogados e plantados
segundo ordens cronológicas
irregulares.
Explicava-se o sacrifício
no silêncio de uma escuridão
que perdia as crianças
em incêndios de sal e vozes
enlouquecidas guardadas
ao longo dos anos dentro
de pianos de cauda
feitos em baixo relevo
na sala de jantar de
um coleccionador de
corvos marinhos.
Enquanto
a esventrável agonia
de um animal lhes servia
de propósito para a compaixão
um rio de sangue iluminava
a profundidade do solo primário
ilustrando o caminho mais longo
para uma morte breve e desatenta
desenhada de homens
vermelhos e mulheres escurecidas
sentados num café de mármore
onde se podem pisar grãos de
café estragado e plantar
a melancolia ao lado dos cedros.

Quando vou ao cemitério
ainda carrego um regador
vazio para recolher
as sombras dos homens
sentados sobre a cabeça
e planto solidão na
calçada que um homem
de princípios há-de
pulverizar
asfixiado
de
si
próprio.

Posted at 02:02 pm by mortir
comment (1)  

 
Tuesday, January 25, 2011
Insolação poente
Temos o
poema
numa
mão
(a esquerda)
e na outra
plantamos
sacos de plástico
com árvores
desenhadas de
ambos os lados
e
se brotam
florestas
mecânicas
do romantismo
secular dos
lábios
porque não
sobram mais
unhas
para além das
cravadas
na carne
espessa do
poeta
cuja morte
acaba
onde o poema
reside em precipício?


Posted at 05:14 pm by mortir
Make a comment  

 
Monday, January 17, 2011
An)atómico
As mãos vazias
e entre elas
a cabeça de um
unicórnio decepada
na urgência do
metrónomo.
"É o pessimismo
das estrelas" - dizias - e
eu apontava para o
silêncio com sangue
nos pulsos amputados
enquanto no litoral
ainda restavam perguntas
quiméricas e hienas
esfoladas com cascos
de centauro habitados
de coral cinzento centrifugado.
O coração sob a forma de
uma medusa pulsante
com tentáculos circundando
o jardim efémero da fisicidade
e duas dentadas que servirão
de joelhos, se assim
puder ser.
É a palidez da noite
e o psiquiatra marítimo
que na ciclicidade das ondas
se esquece da embarcação
e produz escamas com
sumo de laranja natural
e carvalhos centenários
com escorbuto.

"É o incêndio das vozes,
a explicação intemporal
do arquétipo
ou
o deus solitário na
varanda do

andar a fumar o cigarro
da criação
por falta de sexo
e afins" - dirias.


Posted at 02:00 pm by mortir
Make a comment  

 
Wednesday, January 12, 2011
Enumerações sintéticas
Dá-me a mão
porque lá fora
está frio e pode
ser que os cães
ladrem a amplitude
das sombras.
Nos dias assim
costumamos plantar
espectros na lareira
e acender luzes de natal
com farinha de trigo
fora do prazo de validade
para iluminar o vento
solar que se movimenta
debaixo das árvores.
Sabemos que os pescadores
têm raízes humedecidas
debaixo dos pés e é por isso
que vão para o mar e têm barcos
de madeira sob o seu comando
mas não contamos a ninguém
porque nos pediram segredo
com aquele olhar
de miséria suburbana
que comovia as larvas
nos funerais mais bonitos
e, portanto, com menos flores,
menos pessoas, sem caixão
nem cânticos. Só um buraco
na terra e mortos, ou quase,
atirados segundo a lei da
gravitação Universal
de Newton
que, sem saber,
explicou porque é
que caímos de joelhos
de olhar vazio
e medusas nos pulmões
quando esgotamos o
amor e só nos resta um
último poema amarrotado
na mão esquerda e uma mola
de roupa amarela
semi-carbonizada presa
ao indicador da direita.
Posted at 09:42 am by mortir
comment (1)  

 
Saturday, January 08, 2011
Raw Blues is a goddess fingerprint
tu sabes que as mãos
acabam e derretem
e depois as unhas
mas primeiro os olhos
têm sinceridade
e fala-se de bules
com água fria que
serve para fazer chá
azul com electricidade
estática no fundo
como se fosse
açúcar
mas não é
porque na verdade
é muito mais do
que aquilo que as pessoas
p-e-s-s-o-a-s,
[pés sob o anatómico símio ?],
pensam
que saem à segunda-feira
para trabalhar e chegam
numa sexta feira qualquer
cansados e, às vezes,
até mortos mas com
mãos no ombro,
como as pessoas que
morrem bem, porque
morrer bem é o objectivo
das pessoas boas e correctas
que trabalham uma semana
inteira e estão cansados
demais para não trabalhar
na semana seguinte
sem saber que a vida é cíclica
e se a enchermos de ciclos
podemos ficar doentes
e morrer com mãos no ombro
que depois derretem e acabam
depois de nós, talvez até
melhor, porque pertenciam
a uma pessoa menos cíclica
e menos boa que sorria
debaixo de um comboio
preto e vermelho, como nas
colecções dos velhotes
que se julgam imortais
e enchem vitrinas com
corações de crianças
que depois pretendem
trocar com os seus
como pilhas que se
apertam nas mãos
e provocam uma explosão
etérea de vida com faíscas
multi-colores e irracionais.
Mas as mãos acabam
e com elas o Universo,
eu diria. Tudo isso
só,
talvez,
porque as pessoas
saem para o trabalho
sem pensar,
ou interrompem o
pensamento porque é
tarde
e quando é tarde
tem que se ter um
emprego,
quem sabe como coveiro,
[a eterna esperança
de um dia chegar ao centro da terra]
numa Terra qualquer
em que as minhocas
e as larvas
são satélites naturais
reflectindo a luz
de um poema apagado
ao fim do dia.

Posted at 06:39 pm by mortir
comment (1)  

Next Page